domingo, 13 de novembro de 2011

coisas da adolescência...

"eu amava e como amava algum cantor,

de qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor ...

eu sonhava como a feia na vitrine, como carta que se assina em vão,

eu amava e como amava um sonhador, sem saber porque

e amava ter no coração,

a certeza ventilada de poesia, de que o dia amanhece não,

eu amava e como amava um pescador,

que se encanta mais com a rede que com o mar,

eu amava como jamais poderia se soubesse

como te encontrar !!!" (simplesmente Oswaldo Montenegro)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Saudade

Essa é mesmo uma palavra que conheço bem. Muito já escrevi sobre ela, em velhas cartas, velhos emails, velhos textos que dormem esquecidos nas gavetas por aqui. Sei que é uma palavra que só existe na nossa língua! Ao que sei, 'saudade' não se diz em mais nenhum outro lugar. Mas que se sente, ah, isso certamente sim !!!

Gostava de dize-la em espanhol castelhano, aprendido na cidade de Salamanca, quando há mais de dez anos, fui até lá conhecer e viver o idioma... E foi lá, na pequena e mais cosmopolita cidade da Espanha que aprendi que em espanhol 'echamos mucho de menos' quando estamos sentindo falta de alguém que queremos muito... também me encanta muito a maneira uruguaia de dizer que 'te extraño mucho' para aqueles a quem, provavelmente, sentiremos muita falta!

No inglês ainda encontraremos a menos romântica, mas igualmente forte frase: "I miss you so much" , para substituir a pequena e forte palavrinha portuguesa intitulada apenas 'Saudade'...

Poderia citá-la aqui em francês, em holandês, em chinês... se soubesse como é, claro, mas o que quero mesmo falar sobre a saudade não vem da boca e, sim, do coração.

Saudade é o que provavelmente tem me mantido acordada até esta hora nas últimas noites e também o que me desperta muitas vezes, em plena madrugada, em sonhos inconscientes que teimam em me contar o que o consciente já esqueceu... será?

Saudade é o que ainda me faz ler e reler emails, ainda escrevê-los, buscar referências novas, com base em teses antigas.

Saudade é uma espécie de solidão acompanhada!
Uma forma de vivermos paralelamente pendurada em dois mundos, o do aqui e o de ontem.

Olhando assim, parece triste. Mas não será muito mais triste, simplesmente não se sentir, saudade?!?!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A palavra ...

Tenho de fato verdadeiro fascínio pelas palavras... e creio que elas me chamam, me gritam, me movem, sempre foi assim. As uso, livremente, de forma a comunicar-me, a agredir, a afagar, a transgredir, a cooperar... Nunca, no entanto, me dera conta de que a palavra é verdadeiramente 'processo' em mim. Até outro dia (recente) em que reencontrei meu ex-colega de segundo grau e algo que ele me disse (ou digitou) ficou ecoando em minha mente até agora. Me disse que lá atrás, quando tínhamos os dois provavelmente catorze ou quinze anos, ele (com memória muito superior à minha) costumava prestar atenção nas minhas 'palavras' escritas então nas 'orelhas' dos cadernos e livros, nos meus improváveis textos adolescentes e confessou-me que, a partir deste olhar para minhas então 'recentes palavras', passou, ele próprio, a escrever de "forma diferente" - como me relatou!
Tal comentário claro que me envaideceu. Nunca imaginara sequer que algum dia alguém pudesse lembrar-se de que tinha mesmo essa mania de escrever tudo o que via e tudo o que sentia. Mas, além de envaidecer-me, despertou algo mais. Despertou a consciência para algo que não havia colocado grau de importância... o fato de que minhas palavras, ao menos naquela época, serviram de influência para que outra pessoa, também pudesse ter arrancado de dentro de si, seus próprios sentimentos.
E é esse novo 'olhar sobre a influência da palavra' em minha vida que chamo de 'processo', pois dei-me conta aqui que se para alguns "Navegar é preciso, viver não é preciso", para mim "Viver não é preciso e escrever, é essencial" !

sábado, 5 de novembro de 2011

o que valeu a pena hoje ... ou o que anda valendo a pena ultimamente ?

Não tenho bem certeza se foi da Martha Medeiros (ou de outro autor) que li, certa vez, um texto com este título... seja como for, hoje senti que poderia eu me atrever a discorrer sobre o tema. Em uma das crônicas de seu livro "O Amor não Acaba", Paulo Mendes Campos, diz que 'devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inutilmente'... lido assim, parece-me que este deveria ser sempre o nosso lema! Mesmo com cara de frase de 'auto-ajuda' ou até meio piegas, ainda assim observo o quanto não é comum nosso esforço neste sentido.

Quantas e quantas vezes acordar, trabalhar, estudar, comer, ir, vir, chegar, partir, pagar contas e tantas outras mazelas que fazem parte da rotina, embaçam nossa percepção e nos distrai do que é realmente essencial... e, se de verdade procurarmos, sempre poderemos encontrar alguma coisa... ou ainda, ressignificar algumas coisas!

Baseada nessa premissa é que tenho procurado olhar meus dias ultimamente... dias comuns, onde aparentemente nada acontece... e que são, tenho que ser franca, a maioria esmagadora em minha vida. Por esta razão, se não observar os detalhes, buscando encontrar valor fora dos grandes acontecimentos (como ganhar na loteria, ou um aumento de salário, ou ainda comprar um carro novo ou encontrar o amor de nossas vidas)o que realmente tem me feito vibrar, são mesmo as pequenas coisas, os pequenos acontecimentos ou, como diria meu ex-marido, os 'micro-prazeres' !!!

Um telefonema... Um filme... Um reencontro de muitos anos ... algo que surge assim, sem aviso, e que passa a dar outro ritmo, sabor e cor aos meus dias comuns.

Nas últimas semanas, o que não faltaram foram os detalhes... e quantos detalhes !!! A quinta-feira de meu aniversário foi brindada com a deliciosa surpresa de assistir a um inacreditável show de jazz num lugar pitoresco de São Paulo, denominado 'Jazz nos Fundos'...

Já a quarta do feriado valeu simplesmente pelo momento em que fui buscar minha filha em frente ao colégio, voltando de sua própria viagem a São Paulo com seu grupo do futebol. Vê-la chegar bem, inteirinha, feliz e rouca de tanto expressar seu contentamento com a experiência, foi o que me valeu naquela quarta-feira.

Já a última quinta, valeu pelo reencontro com alguns amigos (leais e constantes) que vieram para a 'ceva' e o abraço, comemorar comigo a passagem para os 4.4....

E, por fim, o dia de hoje valeu pelo convite de uma amiga a assistir à pré-estréia do último filme de Almodóvar, La Piel que Habito, que me deixou entre 'suspensa' e 'chocada', mas de forma alguma, ilesa deste relacionamento...

Posso dizer também que o dia de hoje não partiu inutilmente por conta do encontro com meu ex-colega de segundo grau, que não vejo há uns trinta anos, através do facebook.

Todos estes pequenos acontecimentos, que considero presentes do dia-a-dia em minha vida, acabam sempre compensando qualquer um dos muitos outros dias simplesmente banais ("dias em que nada acontece, em que ninguém nos surpreende, onde o trabalho não rende e as horas se arrastam de forma estupidamente melancólicas")... ou ainda compensam outros em que nada parece dar certo(dias em que a tristeza tomou conta, o 'sentido' se perdeu, algumas pessoas simplesmente se foram)...

Não deixar o dia de hoje partir inutilmente me parece, de repente, o único modo de enfrentarmos todos os outros que ainda virão por aí... assim espero!

domingo, 23 de outubro de 2011

filosofando no Ocidente ...

Ontem almocei no Bar Ocidente ... conhecido por seu estilo alternativo e suas festas temáticas, como a balonée, além é claro dos famosos Ocidente Acústico e Sarau Elétrico.

Impossível, porém, não comentar a respeito dos almoços de sábado, quando as 'aves vegetarianas de porto alegre' literalmente migram para o bar no Bom Fim, em busca daquela comidinha natural, com ênfase nos pratos 'lactovegetarianos' com um toque hindu, regados a temperos pra lá de especiais e aromáticos!!!

Não pretendo aqui comentar esta experiência gastronômica, mas deixo a dica para aqueles que ainda não a tenham, que a busquem! Podem se surpreender...

O que realmente me faz tornar a experiência de ontem um texto neste blog, tem a ver com o fato de ter levado minha filha, Luisa, pela primeira vez ao Ocidente!

Percebe-la num local que conta tanto minha história (e por que não dizer também a de seu pai) e de toda minha geração, foi muito especial. Me fez refletir a respeito da continuidade da vida, olhando sob o aspecto de que mesmo quando tudo passa (inclusive nós mesmos), ainda permanecem os valores, ainda é possível que se veja brotar nos que nos sucedem, um pouco de nós mesmos.

E isso é muito bacana! É como se, através dos novos 'olhos' que surgem, aquilo que nos foi um dia importante ainda permanecesse...Vi isso quando olhei para os olhos da Luisa! Uma percepção totalmente nova sobre a 'velha' casa rosa, descascada pelo tempo e pelo desejo de permanecer ... Vi isso quando ela olhou para o velho 'globo' de luzes no teto e sorriu, como eu mesma um dia fiz, ao entrar ali pela primeira vez!!!

Vi também, que o mesmo olhar pode ser ao mesmo tempo, tão diferente, quando ela, ao provar a comidinha que tanto adoro, fez a maior 'careta' de quem se surpreende com um paladar tão avesso ao seu próprio... (ahahahah)....

Por fim, filosofei um pouco em silêncio, percebendo o quanto passado e presente se fundiam, inaugurando um novo olhar, uma nova perspectiva da qual não pude deixar de sonhar... eu e minha filha, num futuro não muito distante, juntas em uma das muitas 'balonées' do bom e velho Bar Ocidente!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

reflexões II

hoje estou assim... como dizer... feito um cachorro que caiu da mudança, sabe?!... só que caí aqui em Salvador, de onde escrevo pra me distrair. sem nenhum compromisso com pauta, tema central ou proposta de reflexão, acho que escrevo para me entender... olhei salvador e, como acontece toda vez em que chego a alguma cidade em que já estive, procuro vê-la como se fosse a primeira vez!
me senti chegando em casa. afinal, me esperava uma chuva fina e 'guasqueada' (como diria minha avó), um vento que quase lembrava o vento sul e um céu carregado de nuvens pesadas... muito semelhante ao céu do inverno gaúcho! entretanto, havia, claro, aquele ar mais quente e denso, com jeito de nordeste que nunca faz com que pareça estarmos em alguma outra estação que não no próprio verão.
ao ultrapassar as enormes avenidas movimentadas e ainda um pouco engarrafadas da capital baiana, me senti muito sozinha, apesar das presenças físicas de minha chefe e do motorista de táxi... especialmente quando ela, minha chefe, me perguntou: "quer ligar para alguém para avisar que tu chegastes, Jacqueline?" e imediatamente me ouvi respondendo, "não precisa, Beth, obrigada"!
dei-me conta neste breve diálogo do quanto tanto faz onde eu esteja, sempre vou sentir que por mim não espera ninguém.
claro que poderia avisar a minha filha, meus pais, irmão ou até uma amiga... ou duas... mas com esse inusitado comentário, me apercebi de que tenho um pacto (talvez comigo mesma) de raramente dizer como estou, se cheguei, se não cheguei, se estou bem, se não tanto, se preciso de ajuda, ou não... de fato, cheguei a salvador pensando mesmo em como minha independência tornou-me solitária. e o quanto nunca havia refletido sobre isso...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

que me perdoem os que curtem ver a noite se atrasar... mas eu ODEIO HORÁRIO DE VERÃO!!!

Incrível essa coisa de horário de verão... dificilmente conheci algo que me pareceu tão despropositado, tão paradoxal e tão sem sentido...

despropositado porque, primeiramente, não começa no verão e, sim, na tênue primavera, que se não olhássemos para aqueles canteiros coloridos inventados pelos homens e considerássemos estas últimas noites, realmente poderia se pensar que continuamos no inverno!

paradoxal, pela própria contradição de iniciar fora do verão e terminar muito antes do referido acabar!

e, finalmente, sem sentido, porque ao que sei, seu maior benefício seria o de economia de energia, com um melhor aproveitamento da luz solar que se estenderia até um bom pedaço da noite... o que, de fato, não sei se um simples gesto de apagar as luzes de um prédio público inteiro, após um dia de expediente, não seria bem mais sensato (ao contrário do que muitas vezes vejo, quando olho para alguns prédios aqui no centro)...

... neste momento, me dou conta que nenhum horário de verão será capaz de alterar o comportamento desmedido e despreocupado da maioria das 'gentes' que, salvo algumas poucas excessões, realmente estão nem aí para esta atitude que, a longo prazo, poderá até ajudar a salvar o planeta... sustentabilidade!!!

em que pesem todos os fatores favoráveis desta iniciativa, ainda assim, como verdadeira amante da noite que sou, não gosto de vê-la 'economizada' desta forma!

sempre vou preferir sair para um happy ao anoitecer e não no meio de uma tarde se fingindo de verão... sempre vou ter a sensação de estar sendo 'roubada' em uma hora (preciosa de sono) quando meu relógio tocar tradicionalmente às seis e quinze e eu tiver certeza (pela biologia de meu ser)que ainda são apenas cinco e quinze da matina!!!

e, por último, sempre dormirei com a sensação de que minha noite foi muita curta, porque ainda não fiz nada do que queria fazer e já tenho que dormir porque amanhã preciso madrugar!