sábado, 7 de abril de 2012

Resignação... renovação... Páscoa!

Dia lindo de outono... sol precedido de uma lua absurdamente cheia no céu sem estrelas... friozinho... cheiro de mato! Assim foi a noite de ontem e o amanhecer neste sábado de aleluia, onde de qualquer maneira, nada muda o que passa aqui dentro... aqui dentro, contemplação, observação, resignação... sim, não gosto muito desta palavra (submeter-se sem revolta a; conformar-se com; aceitar...), mas acho que ela se encaixa ao que sinto por ora... sinto que o 'tempo' - por andar em sua própria velocidade - nem mais rápido nem mais lento, acaba por trazer essa sensação de que não há muito o que fazer, exceto esperar. Esperar enquanto contemplo, observo e me resigno com as coisas todas que queria diferentes e simplesmente não o são... com os pontos em minha boca que gostaria já estivessem fora daqui, mas ainda não estão, com a 'virada' que espero poder dar algum dia, e por ora, ainda não chegou!

Me resigno também com a ausência, com a saudade, com o espaço existente entre o querer e o conseguir... entre o pensar e o agir... entre o desejo e a realização!

Amanhã é a Páscoa Cristã! Dia de renovação, de acreditar em renascimento, de reformulação e esperanças... Não creio, porém, em nenhuma renovação sem uma análise profunda sobre o que já se viveu até aqui. Sem antes uma boa dose de auto-percepção, auto-avaliação, auto-perdão!!! Creio, sim, no tempo; sábio companheiro fiel e implacável senhor da Vida...

Se atravessarmos os tempos de maneira distraída, possivelmente não entenderemos o verdadeiro significado de 'sairmos de um tempo' e 'entrarmos em outro'... possivelmente perderemos uma parte importante de nossa própria história. Aquela que nos trouxe até aqui, que nos tornou quem somos e quem, com certeza, nos possibilitará atravessar o 'Egito' e nos tornarmos quem desejamos ser!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

acho que hoje é uma terça-feira...

sempre quis começar um texto sem saber direito em que dia estou!
percebi isso ao me conectar agora, quando descobri não saber que horas são, ou em que dia da semana estamos. isto se chama férias! quando olhei pro céu mormacento aqui da sacada de meu pequeno apartamento na pousada, consegui descobrir a hora, porque o pequeno laptop é muito sábio e nunca se perde nisso. consegui também me dar conta do dia do mês, mas e a semana??? eheheh.. graças a deus ainda consigo me desconectar de alguma coisa, afinal!
amanheceu um céu muito cinza por aqui, carregado daquelas nuvens que parecem só existir mesmo nos únicos sete, dos 365 dias que tem o ano, quando me dou o direito de vir em busca de sol, mar e descanso!
como neste horário elas geralmente dão uma trégua, deixando transpassar o sol e seus raios 'venenosos' (por conta do horário) é justo aqui que realmente sinto o que é estar em férias... sentar e simplesmente ler aquele livro que está sempre por perto, mas que raramente abro... olhar para a janela e perceber que me cercam inúmeros morros esverdeados, pegar a máquina fotográfica e desejar registrar tudo, para no segundo seguinte, sentir a preguiça maior do que tudo e, simplesmente não registrar nada... passar boas horas ouvindo as cigarras em torno... mirar da sacada a piscina de água azulada e brilhante me chamando, para ter o prazer de simplesmente dizer, agora não, talvez mais tarde... perceber que já passou há horas a 'hora do almoço' e simplesmente deixar pra depois, deixar para comer quando a natureza realmente sentir que não há mais nada a fazer... essa sensação de não se 'ter' que fazer nada é o que realmente chamo de 'estar em férias'... a única obrigação é para com os sentidos... estar atenta. ouvir. sentir. desejar. realizar...
por décadas achei que isso era desperdício de vida. que o correto era sempre se ter o que fazer. acordar sabendo que viria o café da manhã, para logo em seguida caminhar por aí, porque, como conceber umas férias sem caminhadas?!?! e a obrigação de se fazer um exercício??? e a culpa por se ficar preguiçando o dia todo???
Bem, há algum tempo atrás, abrir a janela de um quarto de hotel e verificar que chovia a cântaros era sinônimo de mal-humor. Afinal, como poderia estar chovendo quando eu estava em férias??? Eheheh... quanta pretensão achar realmente que a natureza se regula pelo meu calendário anual!
Acho que o bacana de se 'envelhecer' é que se fica bem menos neurótico, exigente com o que não se tem controle e apto a lidar com o que a vida apresenta.
A pouca ou nenhuma certeza de se ter um outro dia de sol (ou não) amanhã faz com que a gente aproveite aquela pequena 'escapada' que ele dá por trás das nuvens. Faz com que não tenhamos muita pressa para que os dias terminem ou que a noite chegue ou que tenhamos que conhecer esta ou aquela 'nova praia'. Faz com que não precisemos comer porque está na hora, e sim, porque queremos ter o prazer com a comida... faz com que ao sentir um texto chegando perto da gente, a gente simplesmente sente e escreva, mesmo que não seja o momento adequado. Faz com que se abra uma garrafa de espumante para beber sozinha, sim, sozinha, a qualquer hora do dia ou da noite, sem nenhum grande motivo, apenas porque se sentiu aquela vontade....
Por isso estou aqui agora, neste dia que penso ser uma terça-feira, sem muita noção de quando vou para a próxima 'tarefa' ... ou do que me espera o próximo minuto!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Entrando em 2012

Não consigo, como a grande maioria das pessoas, acreditar que os rituais de passagem, patuás, desejos de novas realizações, estouros de espumantes e todos aqueles fogos de artifício queimados na meia noite do dia 31 de dezembro, signifiquem realmente que acabei de entrar em outro tempo... Sendo assim, estou entrando em 2012! Já sem a pressa vivida em anos anteriores. Sem a angústia pelo novo chegar. Me estranhando um pouco digitando isso aqui - porque ninguém mais do que eu mesma me ouvi dizer ao menos uma dúzia de vezes - o quanto já estava farta de 2011!!!

E agora, buscando antigos cadernos de anotações que costumava manter até meados do ano passado, coincidência ou não, acabei encontrando de primeira, um texto que escrevi chamado "Bem Vindo 2011" !!! ... Relendo, encontrei uma jacqueline diferente desta, que de forma lenta e transformada, atravessou a fronteira destes dois números 2011 - 2012 !

Compartilho aqui meu texto escrito, lá atrás, sobre meu olhar para o então 'Ano Novo' e com ele posso dizer que se tivesse que escrever um outro "Bem vindo 2012", seu conteúdo e talvez até sua sonoridade, se distanciariam um pouco do que encontrei aqui ...

"Já na metade de janeiro, saúdo a este ano que há pouco entrou em nossas vidas ocidentais. Apenas simbolicamente, porque a vida mesmo segue seu curso, sem paradas, sem pit-stops, sem recomeços (e com muitos ao mesmo tempo). Decido seguir por aqui no mesmo caderno. Não vou inaugurar ou abrir outro (como fazemos com as agendas profissionais) porque para mim e para o mundo apenas o que existe é 'continuidade'. Para onde poderíamos ir, afinal, que não sempre em frente, de volta para o futuro??? Que bobagem este negócio de ficarmos iludidos sobre os 'inícios de ano', como se estes, ao chegarem, não fossem apenas "mais um ano a menos", parafraseando meu ex-colega Eder, ou seja, são nada mais do que um outro PRESENTE a nos brindar com uma nova data no calendário da vida! Introspecções e reflexões a parte, posso dizer que estou entrando em 2011 devagar (exatamente como agora em 2012), com idas e vindas, chegadas e partidas... Estive até ontem (19/01/2011) em férias com minha filha, noutro ritmo, noutra batida, sem horários, sem rotina, sem obrigações... Estivemos no sul da ilha de Florianópolis ( não sei se por minha escolha ou por escolha da ilha), uma vez que apenas lá consegui uma pousada nestas alturas do campeonato. Posso afirmar, no entanto, que foi realmente um PRESENTE que ganhamos ao irmos 'parar' na praia da armação, pois se eu mesma tivesse ido buscar um lugar melhor para ela, talvez não tivesse encontrado algo tão ideal. Minha Luisa curtiu tudo. Adorou! Fez novos amigos, viveu intensamente seus dias e voltou , como eu, apaixonada pelo sul , pelo mar, pelo clima e pelo jeito de viver daquela ilha. Tanto que me fez prometer que voltaríamos. Adorei te-la tornado feliz. De minha parte também gostei muito, desde as trilhas isoladas e difíceis, até os bons momentos fotográficos que tive. Voltei bronzeada, descansada, com saudade de casa, com vontade de seguir a vida. Ao chegar aqui e entregar a Luisa para seu pai, aquele homem tão bonito, tão bronzeado, tão parecido com alguém que conheci tão bem, percebi o quanto estamos mesmo 'fora' da vida um do outro. E neste momento, me senti novamente sozinha! No mundo, na vida, em mim mesma! Me despedir da minha filha foi como se não tivesse mais nenhum papel a desempenhar, nenhum lugar para ir... como a música do Wander Wildner: "Me sinto sozinho e abandonado, não tenho ninguém, aqui do meu lado... meu cachorro vênus foi roubado, fiquei um pouco preocupado... vou me entorpecer bebendo vinho... seguindo só... o meu caminho..." - Mas não fiz! Não abri nenhuma garrafa de vinho, nenhum álcool. Apenas amarguei minha total certeza da solidão e entrei em casa repetindo a mim mesma: 'Sou uma grande pessoa' !!!"

domingo, 25 de dezembro de 2011

um novo Natal...

hoje é 25 de dezembro, um dia em que costumo me dedicar mais à introspecção do que o normal, se é que isso é possível, considerando minha eterna mania de ficar 'introspectando' minha vida e a alheia... no entanto, este Natal é distinto, em muitos e variados aspectos... a instrospecção não veio acompanhada da tradicional 'melancolia natalina' dos últimos anos... neste ano, por algum motivo não identificado muito bem até agora, o natal veio repleto de tranquilidade e percepção do "agora"...

acordei de forma estranha esperando pelo velho conhecido sentimento de angústia que costumava me abater nos dias de natal... uma velha sensação de inadequação, quando costumava ver todas as pessoas da família se regozijando felizes, numa troca inesperada de sorrisos e abraços, presentes e afetos, e eu, olhando e até participando de tudo, com uma sensação quase desesperadora de querer estar em qualquer outro lugar, exceto ali...

procurei por este sentimento ontem enquanto preparava tranquilamente a salada colorida que viria a enfeitar nossa mesa natalina, enquanto preenchia os canudinhos (iguais aos que comia na infância), enquanto buscava no 'google' uma receita de farofa natalina e, pasmem, me atrevia a experimentá-la... quando, para surpresa de todos, e inclusive a minha, ficava bastante saborosa...

sim! acho que enquanto me distraía com estes pequenos 'rituais' de montar uma mesa de natal, ao lado de minha mãe, percebi que por mais que esperasse pelo velho sentimento de angústia que costumava sentir nos natais anteriores, esse já não estava mais ali!

em geral, nestes momentos, eu costumava estar parada em algum outro lugar distante no meu passado, recordando outros natais em que, rodeada de outras pessoas, outra família e outros lugares, não mais me permitiam sentir ou até mesmo 'curtir' o que eu realmente tinha aqui... o 'agora', o 'presente', minha própria família, meu momento de criação e inspiração... ao olhar para estes últimos natais lembro que o único que queria era que ele passasse rápido. que a noite acabasse logo. que o espumante fizesse logo efeito...

ontem não! ontem algo novo aconteceu! algo que não me fez querer acelerar o tempo, nem mesmo faze-lo andar para trás. algo que me deixou saborear cada pedaço do que talvez signifique 'estar aqui. algo que não exigiu de mim nenhum esforço. nenhuma roupa nova. nenhum gole de champagne a mais.

senti mesmo foi uma grande gratidão por estar aqui. simplesmente aqui. por ainda ter curiosidade de saber como se faz uma farofa natalina e junto de minha mãe, poder experimentá-la... senti também uma imensa gratidão por ter minha linda filha perto, como sempre está, mas foi como se isso me bastasse. senti uma imensa gratidão até pelas inesperadas mensagens de felicitações natalinas e por ter, eu mesma, tomado a iniciativa de mandar algumas outras...incrível também que curti simplesmente estar aqui, sem a ânsia ou a culpa ou o desejo, de não poder estar em qualquer outro lugar, talvez na praia junto de meu irmão e cunhada, talvez em nova york, paris ou mesmo na índia...

incrível também a sensação de que nada 'precisava' ser feito. de que tudo estava apenas sendo feito. descobri ontem apenas a incrível diferença entre TER que fazer algo ou simplesmente FAZER algo...

e essa descoberta serena, sem busca, sem pressa, transformou algo em mim. transformou o tempo em mim. tem transformado a vida para mim...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ano 1994. Eu, ainda meio menina, meio adolescente, meio mulher, tentando me encontrar profissionalmente, afetivamente, buscando algum lugar no mundo onde pudesse me sentir em ‘casa’ ... nesta parte do caminho encontrei um grupo muito especial de amigos! Todos jovens, todos meio adolescentes, todos em busca de si mesmos. Alguns com histórias muito próximas. Alguns começando novas histórias. Alguns saindo de histórias também ...
Neste grupo encontrei pessoas que permanecem até hoje em minha vida. E sou muito grata por isso! Algumas dessas pessoas estiveram, ao longo destes anos todos, sempre muito próximas a mim. Em momentos especiais. Momentos de alguma tristeza, decepção, revolta, sustos e ansiedade; mas também, em momentos ótimos de pura diversão, farra, comemoração, brindes e felicidade!
Hoje, mais maduros (após 17 anos) incrivelmente a maioria deles permanece ainda muito jovem... jovem nos sonhos, nas idéias, nas realizações, na capacidade de se inventar, re-inventar, sorrir, chorar.
Uma destas especiais pessoas que me acompanham nesta trajetória se chama Isabel. E dela poderia comentar muitas coisas. Quantos pequenos segredos já não trocamos? Quantos ‘papos-cabeça’ já não tivemos? Quanta festa e ‘saraus’ no Ocidente? Nossa trajetória de amizade vem permeada de momentos leves e engraçados, de cursos de ‘empreendedorismo’, de sonhos coletivos, estudos apaixonados pela língua castelhana (muitas aulas com a professora Su, que acabou ela mesma entrando na magia desta amizade e somando-se a este grupo tão especial que me acompanha até hoje), de alguma ‘vizinhança’ (sim, fomos vizinhas eu e Isabel, no antigo prédio da ‘Zuréia?!’ durante um ano)... tempos em que se podia correr para o apartamento uma da outra a fugir de ‘morcegos’ e fantasmas, em busca de companhia e uma boa espumante!!!
Com ela eu estava no ‘Ossip’ quando, tentando superar uma ou outra dor de cotovelo, me apareceu, meio sem querer, o pai de minha filha. Seguindo a memória, dela também consigo lembrar coisas como o dia em que fiquei grávida (e apavorada) a procurei para saber como agir e ela, demonstrando uma sabedoria muito especial me respondeu apenas... “sabes que tuas crenças são diferentes das minhas, né, Jac?! Então decida de acordo com a tua natureza e tudo dará certo!” (nem sei se ela lembra disso, mas eu jamais esqueci).
Também consigo lembrar de outro dia, nove meses depois, quando chegou com seu enorme sorriso na maternidade e, sem nenhuma combinação, cantou lindamente para minha pequena filha que nascera há apenas algumas horas. Sim! ‘Luisa – de Tom Jobim’ – foi a canção tão carinhosa que Isabel entoou para receber minha filha neste mundo!
Também não esqueço de outro episódio - alguns anos mais tarde - quando a Bebel chegou em minha casa, num dos muitos ‘foundees’ que costumavam rolar no sótão da Vila Nova e me perguntou: “Estou muito a fim de sair com o Moschini, tu não te incomodas?!” (e eu, sincera e alegremente respondi que achava que eles haviam nascido um para o outro)...
As memórias vão se misturando e acumulando, até um telefonema por volta do último mês de setembro, apenas e especialmente para me dizer o quanto ela estava curtindo meus textos neste ‘blog’... Ah! Bem, tem o nosso ‘amigo-secreto a três!’ ... Sim, uma invenção das três mosqueteiras (Isabel, Jac e Susana) para simplesmente não deixarmos morrer ou cair no esquecimento uma relação de natureza tão forte, quanto hoje significa esta amizade....
Isabel, este texto é meu presente de ‘amigo-secreto’ para te dizer: Que feliz eu sou por teres participado de tantos momentos importantes de minha vida, alguns até bem difíceis, e ainda assim fazer com que eu sinta que lá, em 1994, encontrei, sim, um grupo que me ajudou e ainda ajuda a ‘me sentir em casa’...
Feliz Natal e Ano Novo, minha querida, amiga secreta!!!

domingo, 11 de dezembro de 2011

O sexo e a cura...

que o sexo é, sem dúvida, um dos grandes prazeres da vida, disso todo mundo sabe! que ele auxilia na perda de peso (em média um humano perde 26 calorias por minuto enquanto beija) disso nem todo mundo sabe... que, além disso, um sexo vigoroso durante meia hora ajuda a queimar 150 calorias (três quilos em um ano – se você tiver relações sexuais 7 a 8 vezes por mês), muitas de minhas queridas amigas também já o sabem; porém nunca é demais lembrar.... Beijar também é muito bom para os dentes: o excesso de saliva lançado durante o ato ajuda manter a boca limpa.

que o sexo também cura dores de cabeça (isso nem eu sabia) porque faz com que o corpo libere as endorfinas que, naturalmente, reduzem a dor.... assim, mulheres, um alerta! vamos ter que repensar aquela velha desculpinha descabida tão comum entre algumas de nossa espécie...

sexo por diversão?!?! ora, porque não?! é mais comum entre alguns espécimes (além da raça humana), incluindo os golfinhos e chimpanzés bonobos que quando observados no exercício de suas atividades sexuais, demonstraram usa-lo como instrumento de compensação da agressividade e agente reconciliador...

mas o que quero mesmo colocar neste texto, além de alguns toques óbvios sobre um tema tão comum, é que precisamos tomar conhecimento da 'sacralidade do prazer'; em outras palavras, do quanto poderíamos aprender se observássemos o quanto já sabemos sobre o prazer e a cura!

me chama a atenção, e talvez isso tenha a ver com minha idade, que com o passar do tempo, nossa relação com a vida vai se encaminhando para um grande paradoxo: a cada dia de vida que ganhamos, o perdemos para a morte!

de posse desta sabedoria, percebo cada dia mais como é urgente 'viver bem e plenamente' ... e o quanto esses pequenos momentos de vida que se iniciam com o acordar (equivalente ao nascer) tecem pedaços na história da nossa vida que se encerram a cada noite ao dormir (equivalente ao morrer)...

penso que com a energia sexual não seja diferente, deve seguir a mesma dinâmica. por ora se destrói (a morte), para no instante seguinte, se reconstruir (a vida)... o importante é O QUE podemos construir com a sexualidade voltada para a cura e para a criatividade!

quando direcionamos a sexualidade para a 'entrega', talvez estejamos redimensionando o sexo e sua trajetória, relacionado-o à cura, trazendo assim, a saúde do corpo e do espírito! para alcançar essa plenitude, porém, é preciso haver afetividade e amor... é na descoberta desta entrega que visualizo, agora, uma possibilidade de 'transformação alquímica' do que considerei, ate bem pouco tempo como os quatro medos básicos: de viver, de amar, de envelhecer e de morrer... todos intimamente interligados!!!

domingo, 4 de dezembro de 2011

há tempos não me sentia assim... ou, melhor dizendo, há tempos venho caminhando para deixar pra trás alguns sentimentos, alguns 'apegos' e algumas inquietações nostálgicas. tive vários momentos que me fizeram acreditar que na caminhada, já tivesse deixado minhas cascas e iniciado um bonito e, por que não dizer, doloroso processo de transformação... mas a vida as vezes nos apresenta novos fatos, novas surpresas ou até mesmo traz de volta velhos assuntos. me pus a perguntar , durante as duas últimas semanas, o que faz com que mesmo sabendo conscientemente qual o caminho a tomar - sempre à frente - ainda assim, paremos ao longo da estrada, simplesmente a remoer velhas feridas, velhas angústias, velhos paradigmas e velhas crenças.... a questão em si, até não importa muito. o que importa é a extensão de seu abalo sobre nós! o quanto alguns aspectos de cada movimento realizado pelo outro, ou outros, de alguma forma, nos paralisa ou nos machuca, nos atrai ou nos repele. minha própria caminhada por esta vida tem me apresentado situações tão improváveis que achava já ter aprendido a 'saltar', quando algo novo se me apresentasse... saltar para continuar. saltar não para não ver, saltar para 'desapegar' do que já não serve mais... quanto mesmo já aprendi sobre isso? quantas vezes me apeguei a um sem fim de coisas, como se fosse possível preservá-las para sempre... quanto já aprendi de fato sobre o 'para sempre' ser , no mínimo, improvável ???
relacionamentos, bens materiais e idéias... quanto todas estas manifestações da vida costumam ainda me deixar tão vulnerável, trazendo um sem fim de sentimentos como o ciúmes, a mágoa, o medo, e, por consequência, claro, o sofrimento...
acredito que é preciso coragem para aliviar essa bagagem conceitual que carregamos ao longo da vida... seja ela material, com coisas que já não usamos mais, como também de crenças e pensamentos cristalizados ou obsoletos... se, afinal, o antigo já não serve mais, como abrir espaço para o novo? a resposta parece óbvia: abrindo mão do que pode ir embora sem deixar saudades.... mas como isso realmente pode acontecer, quando fatos, acontecimentos, novidades acabam por chegar e ressaltar que toda nossa trajetória em direção ao tão desejado 'desapego' pode ter sido nada mais do que uma caminhada em círculos???
acho que trazer os sentimentos para as páginas, já me ajuda a praticar uma nova crença, e com essa prática, deixar o 'velho' um pouco (ainda que bem pouco) para trás...refletindo melhor sobre o 'mal-estar' vivenciado nas últimas duas ou três semanas, o melhor a fazer - ainda que sem muita convicção - é acreditar que o que se possui verdadeiramente nunca se perde, sempre está aqui e, quando compartilhado, aumenta, não diminui... o apego nos mantém prisioneiros... o desapego liberta, como uma espécie de percepção sobre uma consciência maior em nós, nossa fonte de alegria...
li em algum lugar que o maior risco da vida é tomar precauções demais! muitas vezes, nos dedicamos a proteger nossos tesouros terrenos e também pessoas e amores, justamente pelo medo da perda... praticar o desapego parece como abandonar nossas crenças e nossa necessidade de estar certo, de possuir alguém ou alguma coisa, de vencer a todo o custo, de ser considerado superior, e, principalmente, de esquecer os resultados de nossas ações, porque quando nos desligamos dos resultados, aprenderemos simplesmente a desfrutar da caminhada...
penso ainda que fui feliz mesmo, pra valer, poucas vezes. e refletindo agora vejo que foi justamente quando me dei a chance de ser quem realmente eu era... experimentando encarar a incerteza como minha unica ferramenta para solucionar algum problema ... ou melhor, cultivando a única certeza que importa... a de que serei capaz de tudo!!!
quero acreditar que isso ainda seja possível... que eu seja capaz de me livrar do desejo imediato em favor de algum ganho posterior... que eu transforme minhas inquietações em disciplina... porque “Disciplina é liberdade” - já cantava Renato Russo, e ainda acredito que só poderemos ser livres, sermos capazes de discernir e escolher, se “mandarmos” em nós mesmos...